Computação Desplugada e o ensino além das telas no Sudeste Paraense

Publicado por
Felipe Campos

Aluno de Ciência da Computação e bolsista PROEX do FacompCast

No mais recente episódio, o FacompCast #32 desembarcou em Tucuruí, a capital da energia no Sudeste Paraense para entender como novas abordagens de ensino estão mudando a realidade de comunidades locais e incentivando crianças e adolescentes a melhorarem seu raciocínio logico e outras habilidades apoiadas na Computação Desplugada. A princípio, o termo pode parecer estranho, afinal, como se faz computação e seu ensino longe das tomadas, fonte de energia dos computadores? Bem, só parece mesmo. Viviane Almeida e Beatriz Melo contaram para Felipe Campos o que é essa abordagem e porque ela tem sido um sucesso não só na região, mas em outros ambientes em que ela tem sido apresentada, graças ao projeto Práticas de Computação Desplugada para Crianças, aprovado no Edital Navega Saberes / Infocentro, ano 2024, da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Pará.

O que é a computação desplugada?

A computação desplugada pode ser entendida como uma abordagem educacional que ensina conceitos da computação e do pensamento computacional sem a necessidade de computadores ou dispositivos eletrônicos (daí o nome “desplugada”). Ela consiste em utilizar atividades interativas, jogos, quebra-cabeças e simulações como materiais de aula, permitindo que alunos das mais diferentes idades possam compreender os conceitos que ora estão sendo repassados. Essa proposta não só torna o aprendizado mais lúdico e divertido com os jogos, mas tem base firme na inclusão, afinal, com poucos materiais é possível que se supere as amarras da falta de infraestrutura de ensino em regiões com histórico de desassistência educacional – como é o caso dos estados da Região Norte do Brasil.

Grupo de crianças em uma escola de Tucuruí (PA) apresentando os resultados de uma das atividades propostas pelo projeto.
Imagem: Arquivo Pessoal / Viviane Almeida

Viviane e o projeto dedicaram-se a abordar essa ideia no ensino básico e introdutório, ajudando estudantes a desenvolver habilidades de raciocínio lógico e resolução de problemas antes mesmo de programar em um computador. Exemplos práticos incluem jogos que simulam a execução de algoritmos, atividades que representam circuitos lógicos com objetos físicos e a montagem de robôs com circuitos simples utilizando materiais recicláveis. Ao desconectar o ensino da computação da tecnologia digital, a computação desplugada reforça a ideia de que a programação e o pensamento computacional são habilidades conceituais que vão além do uso de máquinas.

Benefícios da abordagem com crianças e adolescentes na região

Para além de possibilitar que crianças e adolescentes que estão em escolas sem a devida infraestrutura possam aprender conceitos computacionais, o projeto também permite o público-alvo possa interagir mais com seus pais e responsáveis ao oferecer formas lúdicas de aprendizado. Com a inserção da família no processo de aprendizagem, ele fica mais leve e as crianças e adolescentes que participam das iniciativas são mais motivadas a permanecer no projeto e todos ganham, como explica Viviane:

“É um projeto divertido, as crianças levam alguns materiais para casa e acabam jogando com os pais e ensinando eles. Quando voltamos à sala, elas correm eufóricas para contar ‘eu joguei com meu pai e venci eles’ e coisas desse tipo. A gente fica muito feliz quando isso acontece, sensação de papel cumprido”.

Viviane Almeida, coordenadora do projeto

Mas não foi somente as crianças que ficaram empolgadas com os resultados do projeto. Beatriz, voluntária do projeto, também. Para além das salas de aula e monitorias, ela conta que o projeto também mudou até mesmo sua relação com sua família.

Um dos meus tios me contratou para que eu desse aula de pensamento computacional e robótica para alguns primos meus. Eu fiquei bem honrada com o convite.

Beatriz Melo, voluntária do projeto.
Crianças sendo instruídas durante as atividades do projeto “Práticas de Computação Desplugada para Crianças”
Imagem: Arquivo Pessoal / Viviane Almeida

Próximos passos

Além da expansão do projeto com o oferecimento de mais bolsas para monitores, Viviane e Beatriz visam expandir as próprias atividades que oferecem as crianças:

Nós tivemos uma Mostra de Pensamento Computacional em uma das escolas. A ideia é que a gente faça a mesma feira, só que maior, envolvendo mais escolas e o município como um todo.

Viviane Almeida, coordenadora do projeto

Mostra de Pensamento Computacional em uma escola local.
Imagem: Arquivo Pessoal / Viviane Almeida

Mais alunos, mais projetos, mais atividades e mais conhecimento. Essa é a ideia por trás do projeto desde o começo e que vem rendendo excelente frutos.

Ouça o episódio agora!

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Conheça mais sobre as convidadas

Viviane Almeida: é Doutora em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo(USP) desde 2013. Docente da Faculdade de Engenharia de Computação (FECOMP/CAMTUC) desde 2014 e do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada (PPCA/NDAE) da UFPA/Campus Tucuruí desde 2016. Referência em Inclusão de Gênero nas áreas STEAM. Coordenadora do Programa Mulheres e Meninas nas Engenharias – PMME (@pmme.camtuc) desde 2019. Coordenadora do projeto “Potencializando Meninas e Mulheres na Região do Lago de Tucuruí – Pará” aprovado pelo CNPQ em 2024 (Nº do Processo: 440740/2024-0).

Beatriz Melo: é técnica em Edificações pelo IFPA, graduanda em Engenharia de Computação na UFPA e integrante do projeto de extensão “Computação Desplugada para Crianças e Jovens na Região do Lago de Tucuruí”.

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